Menino debruçado sobre um tabuleiro de damas de madeira segurando a dama, pilha de peças escuras, antes de uma jogada na diagonal
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Jogo de Damas: as regras brasileiras oficiais (e as dúvidas que viram briga na mesa)

Quase toda família brasileira tem um tabuleiro de damas guardado em algum armário, e quase toda família joga com regras um pouco diferentes da casa do vizinho. Uns deixam a pedra comer para trás, outros não. Uns ainda “sopram” a peça de quem esqueceu de capturar. Uns acham que a dama anda uma casa só.

Existe uma resposta oficial para todas essas dúvidas. A Confederação Brasileira de Jogo de Damas publica as regras válidas em todo o território nacional, e é a partir delas que este guia foi escrito.

Tabuleiro e posição inicial

As damas brasileiras usam o tabuleiro de 64 casas, o mesmo do xadrez, com 12 pedras de cada cor. Existe também a modalidade de 100 casas, com 20 pedras para cada lado, que é a das competições internacionais.

  • O jogo acontece só nas casas escuras. As claras nunca são usadas.
  • O tabuleiro fica posicionado de forma que a grande diagonal escura, a que vai de um canto ao outro, fique à esquerda de cada jogador.
  • Cada jogador arruma as 12 pedras nas casas escuras das três primeiras fileiras do seu lado.
  • Quem começa são sempre as brancas, ou seja, as peças claras.

O objetivo é capturar todas as peças do adversário ou deixá-lo sem nenhum movimento possível.

Como a pedra e a dama se movem

Menino e avô jogando damas numa mesa de madeira, com peças vermelhas e pretas nas casas escuras

A pedra

A regra oficial chama a peça comum de pedra, e não de peão. Ela anda uma casa por vez, na diagonal, sempre para a frente.

A dama

Quando uma pedra termina o lance na última fileira do lado adversário, ela é promovida a dama. Quem fez a dama coroa a peça colocando uma pedra da mesma cor em cima dela, e é por isso que a dama costuma aparecer como uma pilha de duas.

A dama brasileira é de longo alcance: anda para a frente e para trás, na diagonal, quantas casas livres quiser. Esse é um dos pontos em que mais se erra em casa. A dama que anda uma casa só é regra da versão americana, não da nossa.

A captura: onde mora quase toda discussão

Captura-se saltando por cima de uma peça adversária que esteja numa casa vizinha na diagonal, desde que a casa seguinte esteja livre. Se depois do salto houver outra peça capturável, o salto continua no mesmo lance.

Capturar é obrigatório

Se existe uma captura possível, o jogador é obrigado a fazê-la. Não dá para escolher mover outra peça e fingir que não viu.

A pedra captura para trás, sim

A pedra só anda para a frente, mas captura para a frente e para trás. Muita gente cresceu jogando de outro jeito, e é justamente esse detalhe que separa a regra brasileira da americana.

Lei da Maioria

Quando há mais de um caminho de captura, é obrigatório escolher o que captura o maior número de peças. Pedra e dama valem o mesmo nessa conta: capturar duas pedras vale mais do que capturar uma dama.

O sopro não existe

O sopro é aquele costume de tirar do tabuleiro a peça de quem deixou de fazer uma captura obrigatória. Na regra oficial brasileira ele simplesmente não existe, e o texto da confederação diz isso com todas as letras. Se o adversário deixa de capturar, a peça dele não é retirada como castigo.

Não é invenção de família: o sopro existiu mesmo, e só foi abandonado na Europa no fim do século XIX. Ele sobreviveu nas mesas de casa, mas saiu da regra.

Três detalhes finos da captura

  • Passar pela última fileira não coroa. Se uma pedra toca a última fileira no meio de uma captura em sequência e depois segue capturando, ela não vira dama. Só é promovida a pedra que termina o lance ali.
  • Duas peças juntas na mesma diagonal não podem ser capturadas, porque não há casa livre entre elas para o salto.
  • As peças capturadas só saem no fim do lance. Durante uma captura múltipla, elas continuam no tabuleiro até o salto terminar, e não se pode saltar a mesma peça duas vezes.

Quando a partida empata

No tabuleiro de 64 casas, a partida termina empatada quando:

  • os dois jogadores fazem 20 lances seguidos só com damas, sem nenhuma captura e sem mexer nenhuma pedra;
  • ou a mesma posição se repete pela terceira vez.

A regra oficial também prevê empate rápido em alguns finais conhecidos, como duas damas contra uma, depois de poucos lances.

Brasileira, internacional e americana: o que muda

  • Damas brasileiras: 8×8, 12 pedras, pedra captura para trás, dama de longo alcance, captura da maioria obrigatória.
  • Damas internacionais: praticamente as mesmas regras, mas em tabuleiro 10×10 com 20 pedras de cada lado.
  • Damas inglesas ou americanas (checkers): também 8×8 com 12 pedras, mas começam as escuras, a pedra só captura para a frente, a dama anda uma casa por vez e não é preciso escolher a captura maior.

Se a criança aprendeu num aplicativo ou num jogo estrangeiro e estranha o jogo da família, vale conferir se ele não segue a regra americana.

De onde vem o jogo

É comum ler que as damas nasceram no Egito antigo, mas os tabuleiros egípcios citados nessa história eram de jogos de corrida, sem parentesco com as damas. O ancestral aceito é o alquerque, um jogo de captura cujas regras, com 12 peças de cada lado, aparecem no Libro de los Juegos, mandado compilar pelo rei Afonso X de Castela em 1283.

Na Idade Média, provavelmente na França, as peças do alquerque passaram para o tabuleiro de xadrez. A promoção já existia no século XIII: uma crônica de 1243 chama o jogo de fierges, o nome que a peça da rainha tinha no xadrez da época. A captura obrigatória também surgiu na França.

No Brasil, a confederação nacional foi fundada em 1967, numa assembleia em Niterói, e no mesmo ano aconteceu o primeiro Campeonato Brasileiro. O país é filiado desde 1975 à federação mundial do jogo.

Com que idade começar e como ensinar

A Maninho, por exemplo, indica o seu jogo de damas a partir de 8 anos, idade em que a criança já acompanha uma regra com exceções e começa a enxergar a jogada seguinte do adversário. Antes disso, dá para brincar com uma versão simplificada.

  1. Comece só com pedras e sem obrigação de capturar. A criança aprende o movimento na diagonal e o salto.
  2. Acrescente a captura obrigatória. É aqui que o jogo fica interessante, porque dá para forçar o adversário a entregar uma peça.
  3. Introduza a dama de longo alcance. Ela muda o jogo inteiro e costuma ser o momento em que a criança se encanta.
  4. Por último, a Lei da Maioria. É a regra mais difícil de enxergar e a que mais exige cálculo.

Jogar mostrando o tabuleiro inteiro em voz alta ajuda muito: “se eu for aqui, você me captura?”. No jogo de damas, a captura obrigatória pune quem não pensa no lance seguinte do outro, e é isso que faz dele um bom treino de antecipação.

Onde encontrar

O Jogo de Damas da Maninho tem tabuleiro de MDF com damas de um lado e trilha do outro, indicado pelo fabricante a partir de 8 anos. O Jogo de Damas da Turma da Mônica tem peças coloridas e ilustradas com os personagens. Os dois estão à venda na Casa do Brinquedo. A loja é da mesma empresa que mantém o Amo Brinquedos, e os critérios de indicação estão em Como Avaliamos.

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