O que o jogo da memória desenvolve? Benefícios e como escolher por idade
O jogo da memória parece simples demais para ser levado a sério: virar duas peças, ver se são iguais, virar de volta. Mas é justamente essa simplicidade que o torna um dos brinquedos mais completos da primeira infância. Em poucos minutos de partida, a criança exercita memória, atenção, percepção visual e convivência, tudo ao mesmo tempo.
Em resumo, o jogo da memória desenvolve:
- memória de curto prazo e memória de trabalho;
- atenção e concentração;
- percepção visual e atenção a detalhes;
- raciocínio e estratégia;
- linguagem, quando a criança nomeia as figuras;
- habilidades sociais: esperar a vez, ganhar e perder.
O que o jogo da memória estimula, habilidade por habilidade
Memória de trabalho
É a capacidade de guardar uma informação por alguns instantes e usá-la em seguida. “O cachorro estava no canto de cima” é exatamente isso. A memória de trabalho é uma das habilidades mais ligadas ao desempenho escolar, porque é ela que permite seguir uma instrução com várias etapas ou fazer uma conta de cabeça.
Atenção e concentração
Para acertar, não basta prestar atenção na própria jogada. É preciso observar também as peças que os outros viram. O jogo pede atenção sustentada durante toda a partida, e a recompensa por prestar atenção é imediata: encontrar o par.
Percepção visual
Distinguir duas figuras parecidas, perceber uma cor ou um detalhe diferente, associar uma forma à sua sombra. Jogos com figuras mais parecidas entre si exigem mais dessa habilidade, que depois vai ajudar a criança a diferenciar letras como “b” e “d”.
Raciocínio e estratégia
Com o tempo, a criança deixa de virar peças ao acaso. Ela começa a virar primeiro uma peça que já conhece, ou a evitar abrir uma nova quando já sabe onde está o par. Esse salto do acaso para a estratégia é um sinal claro de desenvolvimento.
Linguagem
Nomear o que aparece em cada peça (“achei a arara!”) amplia o vocabulário, especialmente em jogos temáticos, com animais, profissões ou personagens do folclore.
Convivência
Esperar a vez, aceitar que o outro achou o par que você queria, perder e jogar de novo. O jogo da memória é, muitas vezes, o primeiro jogo de regras que a criança joga com a família, e a primeira experiência de lidar com a derrota de forma leve.
Por que ele é tão usado na educação infantil
O jogo da memória está em quase toda sala de educação infantil por alguns motivos práticos: as regras cabem em uma frase, a partida é curta, dá para ajustar a dificuldade só mudando o número de pares, e o tema pode ser qualquer um que o professor esteja trabalhando, de animais a letras. É um jogo que se adapta à criança, e não o contrário.
Quantas peças escolher em cada idade
- 2 a 3 anos: de 4 a 6 pares, peças grandes e figuras bem diferentes entre si. Dá para começar jogando com as peças viradas para cima, só para achar os iguais.
- 3 a 5 anos: de 8 a 12 pares, com temas que a criança conhece e gosta.
- 5 a 7 anos: de 12 a 20 pares, e variações mais difíceis, como figuras parecidas ou animal e sombra.
- A partir de 7 anos: jogos que combinam memória com estratégia, como os de adivinhação e dedução.
A regra prática: se a criança acha todos os pares sem esforço, aumente o número de peças ou escolha figuras mais parecidas. Se ela desiste no meio, volte para menos pares.
Da nossa loja
Nas vendas da Casa do Brinquedo, os jogos da memória que mais saem são os de temas brasileiros: folclore, animais da Amazônia e do Cerrado. O de sombras vem logo atrás. Uma leitura possível é que as famílias buscam dois em um: o jogo em si e a conversa sobre o que aparece nas peças, do Saci à Iara.
6 jogos da memória, do mais simples ao mais desafiador
Os produtos abaixo estão à venda na Casa do Brinquedo, loja da mesma empresa que mantém o Amo Brinquedos. Os critérios de escolha estão em Como Avaliamos.
1. Jogo da Memória Floresta Amazônica (Araquarela)
Bom para: o primeiro jogo da memória.
As peças redondas de 8 cm de diâmetro são fáceis de pegar e virar para mãos pequenas, e os animais da Amazônia são bem diferentes entre si, o que facilita para quem está começando. De quebra, cada par é uma conversa sobre um bicho brasileiro.
28 peças grandes
2. Jogo da Memória do Folclore Brasileiro (Fábrika dos Sonhos)
Bom para: jogar e contar histórias. É o jogo da memória que mais vende na loja.
Saci, Iara, Curupira e outros personagens do folclore escondidos em peças de madeira feitas à mão. Cada par encontrado vira pretexto para contar a lenda do personagem, o que junta memória, linguagem e cultura brasileira no mesmo jogo.
20 peças · madeira de reflorestamento
3. Jogo da Memória Troca Tema (Babebi)
Bom para: quem enjoa rápido do mesmo jogo.
Em vez de cartas soltas, é um tabuleiro de madeira com 16 botões que viram. As fichas de dupla face trocam o tema, com 8 opções diferentes, então o mesmo brinquedo parece novo várias vezes.
A partir de 3 anos · madeira reflorestada · 8 temas
4. Bichos em Perigo, livro e jogo da memória (Araquarela)
Bom para: juntar leitura e jogo.
O kit traz um livro sobre 12 animais ameaçados de extinção e um jogo da memória com os mesmos bichos. A criança lê, ou ouve a leitura, e depois reencontra os animais no jogo. Memória e vocabulário trabalhando juntos.
Livro + 24 peças
5. Jogo da Memória Sombras (Xalingo)
Bom para: o segundo nível de dificuldade.
Aqui o par não é de duas figuras iguais: é o animal e a sua sombra. A criança precisa reconhecer o contorno sem cor e sem detalhes, o que exige mais percepção visual e raciocínio do que o jogo tradicional.
A partir de 3 anos · 24 peças
6. Memorix Ratinhos (Babebi)
Bom para: quem já domina o jogo tradicional.
Todas as peças são ratinhos, e a diferença entre um par e outro está nos detalhes de cada desenho. Não basta lembrar a posição, é preciso observar com cuidado. É o tipo de desafio que prepara o olhar para diferenciar letras e números parecidos.
A partir de 3 anos, com ajuda de um adulto · 24 peças de madeira
Jeitos de jogar além do tradicional
- Peças para cima: para os bem pequenos, só achar os pares iguais, sem esconder.
- Em dupla: criança e adulto no mesmo time contra outro time. Menos pressão para quem está aprendendo.
- Conte a história: a cada par encontrado, a criança inventa uma frase com a figura. Vira jogo de linguagem.
- Menos pares, mais rodadas: começar com 6 pares e ir adicionando a cada partida vencida.
- Memória com movimento: cada par encontrado vale uma ação, como imitar o animal da figura, pular três vezes ou rodar. Ótimo para crianças que não param quietas e para dias de chuva.
- Memória sem cartas: colocar objetos na mesa, cobrir com um pano, tirar um e perguntar o que sumiu.
Perguntas frequentes
A partir de que idade a criança pode jogar jogo da memória?
Por volta dos 2 anos, com poucos pares e peças grandes. A maioria dos jogos comerciais indica a partir de 3 anos.
Qual o objetivo do jogo da memória?
Encontrar os pares de figuras iguais lembrando a posição das peças já viradas. Quem forma mais pares vence.
O jogo da memória ajuda a criança com TDAH?
Pode ajudar a praticar a atenção de forma leve, com partidas curtas e recompensa rápida. Veja outras opções no nosso guia de brinquedos para crianças com TDAH.
Adulto deve deixar a criança ganhar?
Não sempre. Ajustar a dificuldade, com menos pares ou jogando em dupla, é melhor do que perder de propósito. Assim a criança ganha de verdade quando ganha.

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