Menina de 7 anos com o cabelo preso em coque, concentrada, puxando um bloco de uma torre de madeira numa mesa de centro.
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Jogos de Empilhar e Equilíbrio: torre de blocos, árvore do equilíbrio e como escolher por idade

Em jogo de empilhar, quem perde é a torre, e quase sempre todo mundo ri junto. Cada rodada pede uma mão firme, um olhar atento para o bloco que parece solto e a coragem de puxar mesmo assim. Quando tudo vai ao chão, o pedido vem na hora: “mais uma”.

Vale separar dois modelos que aparecem nas lojas brasileiras, a torre de blocos retangulares e a árvore do equilíbrio, e ver como escolher por idade. Contamos também o que se sabe (e o que não se sabe) sobre a origem do Jenga e o que a pesquisa diz sobre brincar com blocos.

Torre de blocos: como se joga

O modelo clássico usa 54 blocos de madeira. O manual da Hasbro (edição de 2006) manda montar uma torre de 18 andares, com três blocos por andar, cada andar atravessado em relação ao de baixo. Quem montou a torre começa, e a vez passa para a esquerda.

Na sua vez, a pessoa tira um bloco de qualquer ponto abaixo do andar mais alto completo, usando uma mão só (pode trocar de mão quando quiser), e o coloca no topo, de novo atravessado. Um andar novo só começa quando o anterior tem três blocos. A vez termina 10 segundos depois de empilhar, ou assim que a próxima pessoa encosta em um bloco. Vence quem empilhar o último bloco sem derrubar tudo, e quem derruba monta a torre da partida seguinte.

O manual traz ainda uma variação para jogar sozinho: tirar um bloco de qualquer andar e empilhar no topo, tentando bater o próprio recorde de altura.

Jenga: o que se sabe sobre a origem

Jenga é marca registrada. Os manuais da Hasbro dizem que o nome pertence à Pokonobe Associates. Por isso, aqui chamamos o formato de jogo de torre de blocos.

A criadora é a designer inglesa Leslie Scott. Segundo o museu Strong National Museum of Play, nos Estados Unidos, ela nasceu em Tanganica (hoje Tanzânia), cresceu falando inglês e suaíli e se mudou com a família para Gana aos 18 anos. O nome vem do suaíli kujenga, “construir”. O museu V&A, de Londres, guarda um exemplar de 1982-1983 e conta que o jogo foi mostrado em duas feiras de brinquedo, em 1982 e 1983, e não vendeu em nenhuma. A licença passou para a Hasbro em 1986.

Sobre o começo, as fontes divergem. O V&A diz que o jogo partiu de uma brincadeira caseira da infância de Scott em Gana. O Strong diz que a família empilhava blocos desde a infância dela, sem dizer onde, e põe a mudança para Gana aos 18 anos. O ano de 1974 aparece em um site de história de jogos como registro de que a família já jogava, não como data de criação. Também não está claro como foram os acordos entre Scott e as empresas que levaram o jogo ao mercado. Nesses pontos, preferimos dizer que não se sabe.

Árvore do equilíbrio: o desafio de apoiar nos galhos

Mão de criança apoiando com cuidado uma peça colorida num galho de uma árvore de madeira de equilíbrio.

Aqui o jogo muda de direção. Em vez de tirar peças da torre, cada participante coloca uma peça na árvore. A versão que indicamos mais adiante traz, segundo a página da loja, 21 peças coloridas em formatos diferentes, uma base em forma de árvore e um dado. Ainda segundo a página, a cor sorteada define qual peça a pessoa seguinte posiciona, “sem segurá-la”, e a partida segue até a árvore não aguentar o peso e cair.

Não encontramos documentação sobre quem criou esse tipo de jogo nem sobre quando surgiu. Sem fonte, não arriscamos uma história.

O que esses jogos exercitam

O que dá para dizer sem exagero: são jogos de mão e de olho. Pedem calcular onde apoiar, soltar com delicadeza e esperar a vez. O post sobre Coordenação Motora Fina em Crianças: 6 sinais que pedem atenção (e o que realmente ajuda) traz o quadro geral dessa habilidade.

Sobre blocos em geral, existe pesquisa. Um estudo da revista Child Development (on-line em 2013, na edição de 2014) avaliou 102 crianças de 3 anos e viu que quem copiava melhor construções de blocos também ia melhor num teste de matemática inicial, mesmo descontando o vocabulário. O resultado é de correlação: não prova que brincar com blocos cause a diferença. E o estudo usou blocos de plástico de encaixar, não jogos de torre de madeira como estes. Páginas de produto, inclusive as dos jogos citados aqui, costumam prometer “concentração” e “raciocínio”, mas não encontramos estudo sobre esses jogos específicos que sustente a promessa.

Há também o lado do convívio: perder sem drama, respeitar a vez, rir quando a torre cai. A página de marcos aos 4 anos do CDC (órgão de saúde dos Estados Unidos) sugere jogos simples e inclui revezar entre as habilidades para ensinar. Não fala de equilíbrio, e sim do que qualquer jogo de turnos pede.

Com que idade começar

Não existe tabela única. O que existe são indicações de fabricantes e lojas, bons pontos de partida:

  • O Jenga clássico da Hasbro indica a partir de 6 anos.
  • Na árvore do equilíbrio, vale conferir a idade na embalagem.

Antes disso, o brincar com blocos já cabe. A página de marcos aos 2 anos do CDC sugere construir torres e derrubá-las, revezando com a criança. Aqui ainda não entra a regra de tirar peça de baixo.

Como adaptar para quem ainda está aprendendo

Estas são sugestões nossas, não regras do fabricante.

  • Jogue sem competir: o objetivo vira fazer a torre mais alta, em equipe.
  • Libere as duas mãos e deixe sem contagem de tempo.
  • Monte uma torre mais baixa, com menos andares.
  • Quando ficar fácil, volte à regra de uma mão só.

Para montar uma tarde de jogos, veja também o Pega-Varetas: regras, pontuação por cor e a vareta preta que muda o jogo, outro clássico de mão firme.

Onde encontrar

O Jogo Árvore do Equilíbrio, da NewArt Toy, é de madeira, com 21 peças coloridas em formatos diferentes, uma base de árvore e um dado. Está à venda na Casa do Brinquedo. A loja é da mesma empresa que mantém o Amo Brinquedos, e os critérios de indicação estão em Como Avaliamos.

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