Pega-Varetas: regras, pontuação por cor e a vareta preta que muda o jogo
O pega-varetas tem uma regra só, e ela cabe numa frase: tire uma vareta sem mexer nenhuma outra. Todo o resto, a pontuação, a vareta preta, quem começa, é detalhe. E é justamente nos detalhes que as famílias discordam.
A boa notícia é que a discordância tem explicação. Cada fabricante imprime a sua tabela de pontos, e quem cresceu com uma caixa de uma marca aprendeu valores diferentes de quem cresceu com outra.
Como se joga
- Sorteia-se quem começa. Depois, a vez segue para o jogador à esquerda.
- Quem começa segura o feixe de varetas na vertical, com as pontas apoiadas na mesa, e solta. As varetas caem espalhadas e cruzadas umas sobre as outras.
- Na sua vez, o jogador retira uma vareta por vez, com os dedos, sem mexer nenhuma outra.
- Enquanto não mexer nenhuma, continua jogando e vai guardando as varetas que tirou.
- Se outra vareta se mexer, a vez acaba. Em várias versões, a vareta que estava sendo retirada volta para o monte.
- A rodada termina quando não sobra nenhuma vareta na mesa. Cada um soma os pontos das varetas que conquistou.
Uma partida pode ter uma rodada só ou várias. O manual da Xalingo, por exemplo, sugere combinar um total, entre 500 e 1.000 pontos, e jogar até alguém chegar lá.
O que conta como mexer
Esse é o ponto que mais gera briga. Na regra, qualquer movimento de outra vareta encerra a vez. Combine antes quem vai ser o juiz, e deixe todo mundo olhar de perto a jogada do outro.
A vareta preta
Nas versões mais comuns no Brasil existe uma única vareta preta, e em todas as tabelas de pontos que encontramos ela é a que vale mais.
Ela também costuma ter um poder especial. No manual da Xalingo, a regra é explícita: a vareta preta, e somente ela, pode ser usada por quem a conquistou para ajudar a levantar as outras. Com ela na mão, dá para empurrar, apoiar ou fazer alavanca numa vareta difícil, o que muda completamente o fim da partida.
Isso não é universal. Em outros fabricantes, qualquer vareta já conquistada pode servir de ferramenta, e a regra da preta aparece só como variação mais difícil. Por isso vale combinar na mesa antes de começar.
Quanto vale cada cor

Não existe uma tabela oficial brasileira. Estas são três que aparecem em fontes diferentes:
| Cor | Tabela A (Xalingo) | Tabela B | Tabela C |
|---|---|---|---|
| Verde | 5 | 10 | 10 |
| Amarela | 15 | 5 | 5 |
| Azul | 10 | 15 | 15 |
| Vermelha | 20 | 20 | 30 |
| Preta | 50 | 50 | 100 |
O ponto em comum é um só: a preta vale mais que qualquer outra. Se a sua caixa não traz tabela, escolha uma e escreva num papel dentro da caixa. A briga da próxima partida já fica resolvida.
Por que também se chama Mikado
Na Europa, a versão mais conhecida do jogo se chama Mikado, e usa um sistema próprio: 41 varetas, identificadas por faixas coloridas, cada tipo com um nome e um valor.
- Mikado, uma vareta, vale 20
- Mandarim, cinco varetas, 10 cada
- Bonzo, cinco varetas, 5 cada
- Samurai, quinze varetas, 3 cada
- Kuli, quinze varetas, 2 cada
O jogo inteiro leva o nome da vareta de maior valor, que é a palavra antiga para o imperador do Japão. É o mesmo papel que a vareta preta cumpre por aqui. Quem já conquistou uma vareta especial, o Mikado ou um Mandarim, pode usá-la para ajudar a tirar as outras.
Um jogo com nome em quase toda língua
A origem exata do pega-varetas não é conhecida, e vale desconfiar de quem aponta uma data e um lugar com certeza. O que se sabe:
- Na França, o jogo dos jonchets tem registros desde o século XVII. As varetas eram de junco, depois de madeira, osso ou marfim, algumas com a ponta entalhada para indicar o valor.
- Na Inglaterra, onde se chamava spillikins ou jackstraws, a referência escrita mais antiga é de 1734. No século XIX, o jogo era popular na Alemanha, no Reino Unido e nos Estados Unidos.
- Nos Estados Unidos, ganhou o nome de pick-up sticks. Um conjunto americano dos anos 1920 ou 1930, hoje no museu Victoria and Albert, em Londres, já tinha uma única vareta preta, num total de 40.
- Há quem ligue o jogo às varetas usadas na China para consultar o I Ching, e um texto budista antigo cita um jogo de tirar peças de uma pilha sem fazê-la tremer. São semelhanças interessantes, mas não há prova de que sejam o mesmo jogo.
No Brasil, o pega-varetas virou clássico de armário, fabricado há décadas por marcas nacionais como Estrela e Xalingo.
O que o jogo exige da criança
Mão firme e movimento pequeno
Tirar uma vareta de um monte cruzado pede o movimento mais controlado que a mão consegue fazer, com a pinça entre polegar e indicador e força quase nenhuma. É o tipo de controle fino que aparece depois na escrita e no recorte.
Olhar antes de agir
O jogador que ganha é o que gasta mais tempo olhando do que mexendo. Antes de tocar numa vareta, é preciso ver o que está por cima dela, o que está por baixo e o que vai rolar se ela sair. A criança aprende, sem ninguém explicar, que pressa tem custo.
Aceitar o árbitro
Mexeu ou não mexeu? Quase sempre a resposta depende de quem estava olhando. O pega-varetas é um bom treino de aceitar a decisão do grupo, inclusive quando ela é contra você.
Idade e cuidado com as pontas
Os fabricantes brasileiros indicam o jogo a partir de 6 ou 8 anos, conforme a marca. As varetas são finas e têm ponta, então não é brinquedo para crianças pequenas que ainda levam objetos à boca ou que podem usar a vareta para cutucar o irmão. Com os menores, jogue junto e guarde as varetas no estojo quando a partida acabar.
Onde encontrar
O Pega Varetas da Maninho tem 25 varetas coloridas e vem num estojo de madeira, o que ajuda a não perder nenhuma. O fabricante indica a partir de 6 anos. A caixa não traz valores por cor, então vale escolher uma das tabelas acima. Está à venda na Casa do Brinquedo. A loja é da mesma empresa que mantém o Amo Brinquedos, e os critérios de indicação estão em Como Avaliamos.

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