Menina de 6 anos, de cabelo cacheado, sentada no tapete da sala com as palmas das mãos unidas, concentrada, durante uma brincadeira de passa-anel.
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Passa-Anel: como brincar, os versinhos com fonte e as variações

Passa-anel cabe em qualquer lugar onde haja um punhado de gente sentada e um objeto pequeno. Não tem tabuleiro, não tem placar e não precisa de aparelho nenhum. O que existe é um segredo que passa de mão em mão, e a graça está em quem guarda esse segredo sem deixar o rosto entregar.

As regras abaixo vêm de materiais escolares e de divulgação brasileiros. Junto com elas estão os dois versinhos que encontramos com fonte, as variações que separam uma versão da outra e o que ninguém conseguiu documentar, que é de onde a brincadeira vem.

O que é preciso para brincar

Um anel, ou qualquer coisa pequena que caiba entre duas palmas. O material de língua portuguesa da Secretaria de Educação de Goiás cita pedrinha, moeda ou outro objeto pequeno. O site Dani Educar fala em anel, moeda ou botão, desde que seja algo achatado e fácil de passar.

Quanto ao número de jogadores, a mesma página do Dani Educar pede pelo menos quatro participantes. As crianças podem ficar em círculo ou em fileira, sentadas ou em pé, com as mãos juntas e apontadas para a frente.

Como brincar, passo a passo

  1. Uma criança se oferece (ou é escolhida) para passar o anel e fica com ele.
  2. Em algumas versões, ela também já escolhe quem vai adivinhar no final. Quem adivinha só observa durante a volta.
  3. As outras crianças se alinham ou formam uma roda, com as palmas das mãos unidas e entreabertas.
  4. Quem passa esconde o anel entre as próprias palmas e percorre a fila, deslizando as mãos fechadas entre as mãos de cada participante, um por um.
  5. Em algum momento, sem que ninguém perceba, deixa o anel escorregar para as mãos de alguém. Quem recebe precisa disfarçar, e quem não recebeu pode fingir que recebeu.
  6. No fim da volta vem a pergunta para a pessoa escolhida: com quem está o anel?

A graça, segundo as fontes que abrimos, está em fingir. O material de Goiás diz que o jogo não tem pontuação para definir vencedores ou perdedores, e o Dani Educar repete que não há pontos, ganhadores nem perdedores.

Os versinhos: o que se sabe e o que não se sabe

Duas fontes trazem uma fala para acompanhar o gesto, e as duas são atividades escolares do quinto ano. No material de Goiás, quem passa o anel recita, a cada vez que repete o movimento, “Guarda este anel bem guardadinho”. Numa atividade publicada no site da Secretaria Municipal de Educação de Bom Jesus do Itabapoana (RJ), o texto das regras é quase igual, mas o verso muda: “Tome este anel e não diga nada a ninguém”.

Nenhum dos dois materiais diz de onde tirou o verso. Por isso eles mostram que a frase varia, não que uma seja de Goiás e a outra do Rio de Janeiro. As demais páginas consultadas (Dani Educar, Toda Matéria, as duas matérias da Super Rádio Tupi) descrevem a brincadeira sem nenhum verso. Podem existir outros, mas não encontramos nenhum documentado, e este texto não completa cantiga de memória.

Um cuidado para não misturar: o verso “O anel que tu me destes, era vidro e se quebrou” aparece em material sobre cirandas, no documento Materiais Lúdicos, da Editora Baobá. É cantiga de roda, e nada ali a liga ao jogo de passar o anel.

Existe ainda uma pista musical. A biblioteca de partituras IMSLP registra uma canção folclórica brasileira chamada “O anel”, com o título alternativo “Passa anel”, em arranjo de Heitor Villa-Lobos, no Guia Prático, publicado pela Irmãos Vitale em 1941. A ficha dá só o começo da letra, “Ele vai / Ele vem”, e não diz se a canção acompanhava a brincadeira. Não lemos a partitura, então fica o registro, sem conclusão.

Variações que mudam o jogo

Mãos de criança em concha sobre um tapete, com a borda de um anel dourado aparecendo entre as palmas, durante o passa-anel.

As fontes concordam no essencial e divergem no desfecho. Vale combinar a regra antes de começar:

  • Acertou, passa o anel; errou, paga prenda. É a versão do material de Goiás: quem acerta passa o anel na rodada seguinte, quem erra paga uma prenda escolhida por todos. A atividade de Bom Jesus do Itabapoana acrescenta que a prenda pode ser definida antes do início do jogo. Como sugestão nossa, vale algo leve, como cantar um trecho ou imitar um bicho.
  • Acertou, paga o castigo. A mesma atividade registra que, em algumas regiões, quem paga é quem acerta. Ela não diz quais.
  • Acertou, passa o anel; errou, quem tem o anel passa. É a versão do Dani Educar: se a pessoa errar, a próxima a passar é a criança que estava com o anel.
  • Errou, recomeça com quem ficou com o anel. É como o Toda Matéria descreve. O texto não conta o que acontece quando a pessoa acerta.

Há ainda a variação de fingir: quem passa pode simular que deixou o anel com alguém, e quem não recebeu pode dar a entender que está com ele. O material de Goiás destaca que isso deixa a brincadeira mais engraçada.

De onde vem: o que ninguém documentou

Nenhuma das fontes que abrimos traz data ou lugar de origem. O Toda Matéria diz apenas, de forma geral, que as brincadeiras tradicionais passam de geração em geração, sem autor definido, e podem mudar de nome e de regra conforme a região. Sobre o passa-anel em particular, não há registro de quem inventou nem de quando surgiu nesses materiais.

Sobre o nome, há uma pista ainda sem confirmação: um projeto de um centro municipal de educação infantil de Feira de Santana, na Bahia, apresentado no Conedu em 2018, lista “anelzinho” entre as brincadeiras que familiares ensinaram a um grupo de crianças de cinco anos. O texto não descreve as regras, então não dá para afirmar que seja o mesmo jogo. Se na sua família a brincadeira tem outro nome, vale anotar.

Também se lê na internet que o passa-anel seria adaptação de um jogo inglês, “Button, button, who’s got the button?”. A página em que encontramos isso não cita fonte, e não achamos registro que confirme.

Com que idade e como adaptar

Nenhuma das fontes fixa uma idade. O que há de registro: as regras aparecem em atividades de leitura do quinto ano, e o grupo de cinco anos da escola baiana citada acima brincou de anelzinho, se esse for o mesmo jogo. O que segue são sugestões do portal, não dados de pesquisa:

  • Crianças menores: grupos pequenos, rodadas curtas e um objeto que não possa ser engolido. Em quem ainda leva tudo à boca, o objeto pequeno pede atenção de um adulto ao lado.
  • Crianças em idade escolar: quem passa pode tentar enganar mais, e o jogo ganha olhar, rosto sério e blefe.
  • Famílias com várias idades: funciona bem quando um adulto passa o anel nas primeiras rodadas, para mostrar como se disfarça.

O que a brincadeira exercita

A Super Rádio Tupi, em matéria de abril de 2026, aponta autocontrole (esperar o momento certo para abrir as mãos), observação (perceber olhares e gestos de quem passa), respeito às regras e convivência, com a aceitação de ganhar ou perder sem conflito. Em outra matéria, de maio de 2026, o mesmo veículo fala em confiança e empatia: não acusar alguém sem certeza, aceitar a escolha do grupo e guardar o segredo de quem está com o anel. São leituras de veículo de divulgação, não estudos.

Na prática, é uma boa opção para quando a chuva segurou todo mundo em casa e o barulho precisa ficar baixo.

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