Menina de 4 anos sentada no chão da sala, concentrada, segurando uma vara de pescaria de madeira diante de uma caixa com peixes de papelão.
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Pescaria: da barraca de festa junina ao jogo de mesa, e como montar em casa

Uma vara curta, um barbante, um peixe que balança e a pergunta de quem está na fila: “o que eu ganhei?”. A pescaria é presença conhecida nas festas juninas e dá para levar para dentro de casa com pouco material.

Este texto junta o que dá para afirmar sobre a brincadeira (pouco, e vamos dizer onde as fontes terminam), um passo a passo para montar a sua com material de casa, um cuidado sério com ímãs e ideias para ajustar o jogo a cada idade.

De onde vem a pescaria de festa junina

Ninguém sabe dizer quando a primeira barraca de pescaria apareceu no Brasil. Procuramos em textos sobre festas juninas e não achamos registro de data, de lugar nem de inventor. O que existe são listas de brincadeiras típicas: um texto do InfoEscola cita pescaria ao lado de argola, correio-elegante e pau de sebo, e uma matéria da revista do Quero Bolsa chama a pescaria de “um dos maiores símbolos das festas juninas”. Nenhum dos dois traz fonte histórica para a brincadeira em si.

Sobre a festa, o quadro é mais sólido. As festas juninas foram introduzidas pelos portugueses no período colonial e acontecem em torno das celebrações católicas de Santo Antônio, São João e São Pedro, segundo a Wikipédia em português. Em 2023, a Lei nº 14.555 reconheceu as festas juninas como manifestação da cultura nacional. Não encontramos documento que diga que a pescaria também veio de Portugal. Então fica assim: a festa tem origem conhecida, a barraca de pescaria não.

Como montar uma pescaria em casa

Mãos de um adulto amarrando um gancho de papelão no barbante de uma vara feita com cabo de colher de pau, ao lado de peixes de papelão com argolas de barbante.

A versão que sugerimos para a casa não leva ímã nem metal: a vara termina num gancho largo de papelão duro e cada peixe ganha uma argola de barbante. Dá um pouco mais de trabalho para acertar, mas é a escolha certa para crianças pequenas e para casas com irmãos menores (o motivo está na seção sobre ímãs logo abaixo). Este passo a passo é sugestão nossa, sem fonte:

  1. Desenhe peixes em papelão ou cartolina, todos do mesmo tamanho, com cerca de 8 cm. Quem quiser pode pintar cada um de uma cor.
  2. Um adulto fura a “boca” de cada peixe com a ponta de um lápis e amarra ali uma argola de barbante, larga o bastante para o gancho entrar.
  3. Faça a vara com um cabo de colher de pau ou um graveto liso, sem farpas, e amarre um barbante curto numa ponta.
  4. Recorte um gancho largo de papelão duro e prenda na outra ponta do barbante, com nó e fita.
  5. Espalhe os peixes dentro de uma caixa grande ou de uma bacia seca e deixe a vara pronta ao lado.

Para o jogo ficar com cara de festa, escreva ou desenhe um desafio atrás de cada peixe: dar um pulo, contar até dez, imitar um bicho. A revista do Quero Bolsa também fala em brinde ou desafio para cada peixe.

E a versão com ímã?

A partir de 6 anos, e sem criança menor por perto, dá para trocar o gancho por um ímã e as argolas por clipes de papel. Sugerimos um único ímã, grande demais para caber inteiro na boca, nunca ímã pequeno nem esfera de neodímio, com o adulto presente o tempo todo. Prenda com fita forte e várias voltas de barbante, confira antes de cada partida e, se ele soltar, recolha na hora. Fita e barbante reduzem o risco, mas não eliminam. Os 6 anos são um corte nosso, por cautela, e não uma idade segura definida por norma ou por pediatras.

O cuidado com ímãs

Ímã pequeno e criança pequena não combinam. O manual de ingestão de corpos estranhos do Departamento Científico de Gastroenterologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (2022) lembra que qualquer objeto pode ir à boca, principalmente abaixo dos cinco anos, e lista os ímãs entre os corpos estranhos mais ingeridos, ao lado de moedas, baterias e objetos perfurocortantes. Segundo o manual, os casos mais frequentes e mais graves se relacionam aos ímãs de neodímio, de maior poder magnético. Quando dois ou mais são engolidos, ou um ímã junto com um objeto metálico, há risco de perfuração, peritonite e necrose de alça intestinal, além de óbito.

As tabelas de conduta do mesmo manual colocam dois ou mais ímãs, ou um ímã e um objeto metálico, entre os casos de remoção endoscópica urgente, em até 24 horas, e pedem retirada urgente mesmo de um ímã só quando ele está no esôfago, no estômago ou no duodeno. A pescaria magnética caseira junta justamente ímã e metal, e é por isso que a versão com clipes fica fora do alcance de quem ainda leva objetos à boca.

Na prática: depois da brincadeira, guarde vara, peixes e clipes longe das crianças menores. Se houver suspeita de que alguém engoliu um ímã, procure atendimento médico na hora, sem esperar sintoma. É o que orienta a agência de segurança do consumidor dos Estados Unidos (CPSC), e o manual da SBP registra que grande parte das ingestões não é presenciada e não dá sintoma. A indicação a partir de 3 anos que aparece nos jogos citados adiante vale para os brinquedos prontos, não para uma versão caseira em que o ímã fica preso com fita e barbante. Abaixo de 3 anos, não encontramos indicação, e qualquer pescaria deve ser acompanhada por um adulto.

Como adaptar por idade

As faixas abaixo são sugestões de uso, não regras com base em pesquisa. A pescaria é uma atividade em que a criança precisa mirar, segurar a vara e controlar o movimento da mão, e cada idade pode ganhar uma regra diferente.

A partir de 3 anos

Pescar sem pressa e sem placar, na versão de gancho. O adulto pode pedir um peixe de uma cor (“agora um azul”) e deixar a criança descobrir qual é. Poucos peixes na caixa, no máximo uns dez, evitam a frustração.

De 4 a 5 anos

Entram os números, ainda com gancho. Escreva um número de 1 a 10 em cada peixe e peça que a criança diga qual pescou. Quem pesca o 7 ganha sete pontos, ou apenas diz o nome do número. Outra regra: “pesque primeiro todos os verdes”.

A partir de 6 anos

Dá para somar, e é a idade em que sugerimos pensar na versão com ímã. Cada pessoa pesca três peixes e soma os números, e quem chegar mais perto de 20 vence a rodada. Com quem já lê, os peixes podem trazer sílabas ou palavras para montar. Para quem prefere cooperar, os jogos cooperativos inspiram uma versão em que todos juntam peixes numa meta comum.

O que a pescaria exercita, e o que não sabemos

Textos de lojas e de revistas dizem que a pescaria desenvolve coordenação motora e concentração. Procuramos estudos sobre a pescaria especificamente e não achamos nenhum. O que dá para descrever com segurança é o que a atividade pede: olhar para um alvo pequeno, segurar um objeto longo e esperar a vez. Se quiser entender melhor esse tipo de habilidade, vale ler sobre coordenação motora fina.

Onde encontrar

O Jogo Pescaria dos Números da Loopi Toys é de madeira e vem com uma vara de pescar, 10 peixinhos numerados e um tabuleiro, com indicação a partir de 3 anos. Também há a Pescaria com 20 Peças, com ímã nas pontas das varas e peixinhos coloridos, também indicada a partir de 3 anos. Os dois estão à venda na Casa do Brinquedo. A loja é da mesma empresa que mantém o Amo Brinquedos, e os critérios de indicação estão em Como Avaliamos.

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