Menino bate a mão na mesa gritando stop enquanto a menina ri, no jogo de stop
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Stop ou Adedonha: regras, categorias e o jeito certo de sortear a letra

Uma folha de papel, um lápis para cada um e uma letra sorteada. Com isso, uma família inteira consegue passar uma noite sem tela, e ainda descobrir quem sabe o nome de mais frutas com a letra J.

O jogo tem vários nomes no Brasil. Stop é o mais conhecido. Adedonha e adedanha aparecem no dicionário. Salada de frutas é outro nome comum. É tudo a mesma brincadeira.

De onde vem o nome adedonha

O dicionário Priberam registra adedonha como palavra brasileira, dá adedanha e stop como sinônimos e sugere que a origem seja, provavelmente, a palavra dedo. Faz sentido: é com os dedos que se sorteia a letra de cada rodada.

Como sortear a letra

O jeito tradicional é assim:

  1. Todos os jogadores escondem a mão e, ao mesmo tempo, mostram quantos dedos quiserem.
  2. Alguém soma os dedos de todo mundo.
  3. A partir do A, conta-se o alfabeto até chegar a esse número. Se a soma deu 10, por exemplo, a letra é o J.

Na Alemanha, onde o jogo se chama Stadt, Land, Fluss (cidade, país, rio), o sorteio mais comum é outro: um jogador recita o alfabeto em silêncio, de cabeça, até outro gritar “stop”. A letra em que ele parou é a da rodada. Costuma funcionar bem com crianças, que gostam de escolher a hora de parar.

Antes de começar, vale combinar se letras difíceis, como K, W, X e Y, entram ou ficam de fora do sorteio.

As regras

  1. Cada jogador desenha uma tabela na folha, com uma coluna para cada categoria combinada.
  2. Sorteada a letra, todos preenchem as colunas com palavras que comecem com ela, o mais rápido possível.
  3. Quem preencher todas as colunas primeiro grita “Stop!”, e todo mundo para de escrever na hora.
  4. Cada um lê as suas respostas, categoria por categoria, e as palavras são pontuadas.
  5. Joga-se um número combinado de rodadas, e vence quem somar mais pontos.

A pontuação

A pontuação mais conhecida por aqui, que aparece inclusive em material de educação física de uma rede municipal paulista, é esta:

  • 10 pontos para uma palavra que só você escreveu;
  • 5 pontos para uma palavra que outro jogador também escreveu;
  • zero para campo em branco ou palavra que não existe.

Não é uma regra oficial, é costume, e cada país tem o seu. Na Alemanha, a pontuação clássica vai de 20 a 5 pontos. Na França, uma resposta única vale 1 ou 2 pontos. O que se repete em quase todo lugar é a lógica: palavra original vale mais que palavra repetida. É isso que faz o jogo premiar quem pensa fora do óbvio, e não só quem escreve rápido.

As categorias clássicas

As mais comuns são nome de pessoa, animal, fruta, cor, objeto, carro, marca, profissão, time, comida e CEP, que no jogo quer dizer cidade, estado ou país.

Com crianças, vale incluir categorias do universo delas: brinquedo ou brincadeira, personagem, desenho animado, filme. Com adolescentes e adultos, entram categorias mais difíceis, como adjetivo, parte do corpo ou coisa que se encontra na cozinha.

O mesmo jogo pelo mundo

  • Alemanha: Stadt, Land, Fluss.
  • França: petit bac ou jeu du baccalauréat.
  • Argentina, Uruguai, Paraguai e Peru: tutti frutti.
  • México, Cuba e Guatemala: basta.
  • Espanha: alto el lápiz, ou seja, “lápis para cima”.
  • Chile, Colômbia, Venezuela e outros países: stop, como aqui.

Em 1988, a Milton Bradley lançou nos Estados Unidos uma versão comercial com cartas e dado de letras, o Scattergories, que hoje pertence à Hasbro. A origem do jogo tradicional, porém, não é conhecida. Afirmações de que ele surgiu num país e numa data específicos aparecem na internet sem fonte que as sustente.

Stop para crianças que estão aprendendo a escrever

Três crianças escrevendo com lápis em folhas de papel na mesa de jantar

Há professores que usam o jogo em sala de aula justamente por juntar escrita, vocabulário e atenção numa atividade que as crianças querem repetir. Numa experiência com uma turma de 5º ano em São Paulo, relatada num artigo de educação, a variação escolhida tirava um ponto de quem escrevesse a palavra com erro de ortografia.

Para os menores, algumas adaptações ajudam:

  • Poucas categorias. Três ou quatro bastam para quem ainda escreve devagar.
  • Sem grito de stop. Troque por uma ampulheta ou um tempo fixo, para a criança que escreve mais devagar não perder sempre.
  • Duplas mistas. Um adulto ou irmão mais velho com uma criança pequena, que dá as ideias enquanto o outro escreve.
  • Vale consultar. Na primeira fase, deixe a criança perguntar como se escreve. O objetivo é que ela queira jogar de novo.

Onde encontrar

Papel e lápis resolvem, mas há versões prontas que mudam a dinâmica. O Jogo STOP!!! vem com uma base eletrônica com as letras, 36 cartas e 144 categorias; é indicado a partir de 8 anos e usa duas pilhas AA, que não vêm na caixa. O UeStop!, da Galápagos, leva a disputa para cartas, cabe na bolsa e é indicado a partir de 10 anos. Os dois estão à venda na Casa do Brinquedo. A loja é da mesma empresa que mantém o Amo Brinquedos, e os critérios de indicação estão em Como Avaliamos.

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