Menino de pijama sentado no tapete sacudindo o dado entre as mãos fechadas, com um tabuleiro de ludo colorido em primeiro plano
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Ludo: as regras, a origem indiana e as variações de cada casa

O ludo é, para muita criança, o primeiro jogo de tabuleiro com regra de verdade. Tem dado, tem corrida, tem a alegria de mandar o peão do irmão de volta para casa e a tragédia de ver o seu voltar. E tem uma quantidade surpreendente de regras que mudam de família para família.

Este guia separa as regras que aparecem em todos os manuais das que são variação, para que a partida comece com todo mundo de acordo.

O tabuleiro e as peças

O tabuleiro tem forma de cruz, com um percurso que dá a volta por fora e quatro cantos, um para cada cor: normalmente vermelho, verde, amarelo e azul. Cada jogador tem quatro peões, que começam na sua casa de partida, e o objetivo é levar os quatro, dando a volta completa no tabuleiro, até o centro.

Joga-se com um dado, de dois a quatro jogadores. Com dois, o manual da Xalingo permite que cada um jogue com uma cor ou com duas.

As regras que não mudam

  1. Cada peão anda o número de casas que saiu no dado, sempre no mesmo sentido.
  2. Quem tira 6 joga de novo.
  3. Cair na casa de um peão adversário manda esse peão de volta para a casa de partida dele.
  4. Perto do fim, cada peão entra na reta final da própria cor, a fileira colorida que leva ao centro. Ali ele não pode ser capturado.
  5. Para entrar no centro, é preciso tirar o número exato.
  6. Vence quem leva os quatro peões ao centro primeiro.

As regras que mudam de casa para casa

Dois irmãos sentados no chão jogando ludo com dado

Para sair, 6 ou 1 e 6?

É a maior divergência. O manual da Xalingo permite tirar o peão da casa de partida com 1 ou 6. Outras versões, como a de uma cartilha da rede municipal de Goiânia, só com 6. Um manual de outro fabricante brasileiro chega a trazer as duas regras no mesmo texto. Com criança pequena, a versão do 1 e 6 deixa o jogo andar mais rápido e evita a frustração de passar várias rodadas sem sair do lugar.

A barreira

Em alguns manuais, dois peões da mesma cor na mesma casa formam uma barreira, que o manual da Xalingo chama de castelo: ninguém passa e ninguém captura. Na versão da Xalingo, só outro castelo pode atacá-lo. Nem toda família joga com essa regra, e ela muda bastante a estratégia.

Tirou mais do que precisava para entrar

A regra do número exato quer dizer que não dá para ultrapassar o centro. Um manual brasileiro, porém, resolve de outro jeito: o peão vai até o fim e volta as casas que sobraram.

Outras variações comuns

  • Casas com estrela ou a própria casa de saída de cada cor como casas seguras, onde ninguém é capturado.
  • Três 6 seguidos fazem o jogador perder a vez.
  • Capturar um peão dá direito a jogar de novo.

Nenhuma delas é universal. Aparecem em alguns fabricantes e em plataformas de jogo on-line. Escolha as que a família gosta e deixe combinado antes do primeiro dado.

De onde vem o ludo

Da Índia

O ludo é a versão ocidental do pachisi, jogo tradicional da Índia cujo nome vem da palavra hindi para “vinte e cinco”. O tabuleiro, em forma de cruz, costumava ser bordado em tecido, com algumas casas marcadas como seguras. Jogavam quatro pessoas, geralmente em duplas, e em vez de dado se lançavam conchas de cauri.

A descrição escrita mais antiga do jogo é do século XVI, da corte do imperador mogol Akbar, que era jogador. Conta a tradição que ele usava o pátio do palácio como tabuleiro gigante, com pessoas vestidas nas cores das peças no lugar dos peões. Algumas fontes contam o episódio como fato, outras como lenda, e há quem questione até se o pátio já existia no reinado dele.

A idade do jogo também é incerta. Há quem fale em milênios, mas, segundo o museu da Universidade da Pensilvânia, o que tem essa idade são os dados e as conchas usados no jogo, não o jogo em si.

Para a Inglaterra, os Estados Unidos e a Alemanha

  • Inglaterra: uma versão simplificada foi patenteada com o nome Ludo, do latim “eu jogo”, no fim do século XIX. As fontes divergem entre 1891 e 1896.
  • Estados Unidos: o jogo virou o Parcheesi, marca registrada em 1874 pela fabricante Selchow & Righter.
  • Alemanha: por volta de 1907, Josef Friedrich Schmidt criou para os filhos uma versão simplificada chamada Mensch ärgere Dich nicht, algo como “não se irrite, homem”. Em 1914 ele abriu uma fábrica e doou três mil exemplares a hospitais militares. Em 1920, o jogo já tinha vendido um milhão de cópias.

Com que idade começar

Fabricantes brasileiros como Maninho e Estrela indicam o ludo a partir de 6 anos. Antes disso, dá para jogar com regras simplificadas: cada criança com dois peões em vez de quatro, saída com 1 ou 6 e sem barreira.

O ludo faz a criança contar casas uma a uma, esperar a vez, lidar com a sorte e com a perda. Vale uma ressalva honesta: um estudo conhecido sobre jogos de tabuleiro e noção de número, de Robert Siegler e Geetha Ramani, usou tabuleiros em linha reta e numerados, e achou efeito menor quando o percurso era circular. O ludo não é esse tipo de tabuleiro. Ele pratica a contagem, mas não é o jogo certo para quem busca especificamente esse efeito.

Onde o ludo brilha é na convivência. Ver o peão voltar para casa por causa do irmão, e poucos minutos depois devolver o favor, é um jeito concreto de aprender que perder faz parte e passa.

Onde encontrar

O Ludo Real Torrinha da Maninho é uma edição especial com tabuleiro de madeira MDF, 16 peões coloridos e um dado, e traz regras especiais que renovam o ludo tradicional. Está à venda na Casa do Brinquedo. A loja é da mesma empresa que mantém o Amo Brinquedos, e os critérios de indicação estão em Como Avaliamos.

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